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04.JUL.17 - 14:58

Doutor 85

Brasilino tem um nome invulgar. Mas o motivo da notícia é o seu percurso pouco comum. Aos 85 anos, está prestes a ser um dos novos doutores da Universidade de Aveiro.

Brasilino Godinho tinha 77 anos quando ingressou na Licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Aveiro. Concluiu o curso em 4 anos, com a média de 15 valores. Sem esperas, prometeu logo que não iria ficar por aí.  

Amanhã, dia 5 de julho, e com a respeitável idade de 85 anos, o homem que aos 15 anos tinha já lido Platão, Kant ou Russel, vai defender a tese de Doutoramento em Estudos Culturais sobre Antero Quental e tornar-se um dos estudantes mais velhos a concluir o doutoramento no mundo. Mais uma vez a promessa de não ficar por aqui: “Quero fazer um pós-doutoramento”.  

A altura tardia da ingressão no Ensino Superior não lhe deixa mágoas. Na altura, o avô não quis pagar-lhe as propinas, o que levou a um adiamento consecutivo do sonho. Mas Brasilino admite: “Ainda bem que assim aconteceu, caso contrário não seria o homem que sou hoje”.
 

Longe vão os tempos de Tomar, de onde é natural, e onde tirou o curso industrial de serralharia mecânica. Depois, a profissão de topógrafo levou-o a percorrer o país até que, em 2008, entendeu ter finalmente condições para estudar. Algo que tão depressa não vai deixar de fazer, levado pelo seu “sistemático ardor juvenil”.

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